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Dados: Pesquisa Talk IncTalk Inc

Vozes que atravessam a pesquisa

Pesquisadores, filósofos, médicos e jornalistas que ajudam a entender o que está em jogo no futuro das conexões humanas.

São arquiteturas que expandem necessidades humanas legítimas em circuitos de engajamento economicamente exploráveis.

André Alves
Vibes em Análise

Esse tempo nas telas representa nada menos do que 157 dias por ano. Mais de cinco meses olhando. Quase 60% do tempo acordado, eu estou deslizando o dedo.

Cristiano Nabuco
Psicólogo, pioneiro nos estudos sobre dependência tecnológica no Brasil

Todo grande salto tecnológico provoca uma sensação de esvaziamento. Mas, hoje, a tecnologia virtual reorganiza mais do que a minha ação física no mundo. Está reorganizando o meu desejo, a minha linguagem e a minha sensação de intimidade.

Anna Flavia Ribeiro
Filósofa, entrevistada pela Talk

Quando você coloca uma ressonância magnética funcional de indivíduo dependente de opiáceo, e você pega indivíduo dependente de telas, 95% da circuitaria é a mesma que está ativa. Nós estamos falando hoje de novas categorias de vícios ou de dependências.

Cristiano Nabuco
Psicólogo, especialista em dependência digital

A grande característica da virtualidade é que a gente não tem marcadores de passagem. O rolar infinito da tela, sem fricção nenhuma, cria um sentimento de nunca finalizado. E aí eu fico naquela angústia perpétua.

Anna Flavia Ribeiro
Filósofa

Nós somos hoje seres de produção buscando espaço vazio. O tempo a sós, ele virou algo meio que proibido. Você tem que estar conectado, respondendo, online, fazendo, postando.

Anna Flavia Ribeiro
Filósofa

Você passa o dia inteiro na frente do computador trabalhando. Quando para de trabalhar, o que é que você vai fazer? Mexer no celular. A longo prazo, os efeitos começam a aparecer: você não consegue se concentrar da mesma maneira, sente que não tem criatividade para nada e não consegue processar informações um pouquinho mais complexas.

Drauzio Varella
Médico, sobre Brain Rot

Se a gente pensa nessas figuras, no gamer compulsivo, no investidor de bets, no trader das previsões, no tesão da pornografia online… Não vemos pessoas que estão, necessariamente, totalmente entretidas e muito satisfeitas com o que elas estão obtendo, mas sim presas nesse circuito de busca compulsiva pela satisfação.

Lucas Liedke
Vibes em Análise

Esse eu sintético começa a determinar uma personalidade digital, transformando a sua conduta e os seus 'mores' — que vem do grego e diz respeito aos usos e costumes —, que é a própria moral. As gerações novas perderam ou estão perdendo a interpersonal skill, que é a habilidade de se relacionar com o outro.

Cristiano Nabuco
Psicólogo, especialista em dependência digital

Tivemos parte da nossa psique terceirizada para devices externos. A nossa relação com o mundo foi instrumentalizada.

Anna Flavia Ribeiro
Filósofa

O crescimento das relações parasociais redefiniu a ideia de fandoms, celebridades e, com a IA, a forma como pessoas comuns interagem online.

Simone Schnall
Professor of Experimental Social Psychology, University of Cambridge

Ao trocar a bagunça complicada das relações humanas pelo companheirismo pet, livre de adivinhação emocional, perdemos o benefício essencial das conexões: aquilo que não podemos controlar.

Josh Greenblatt
Jornalista, The Walrus

Com a hiperconexão, o corpo está à serviço de consumir, seu corpo já não é mais seu. Se você entende e retoma o controle dele, você passa a não ser mais um algoritmo. É a opção por uma vida menos informacional, e mais presencial.

Anna Flavia Ribeiro
Especialista

A gente precisa aprender a sustentar essa tensão. E prosperar nesse paradoxo. Porque essa contradição permanente existirá. O futuro das conexões humanas é da gente localizar a tecnologia no lugar dela sem negligenciar a presença.

Felipe Urbano
Filósofo e consultor